Alta no preço do petróleo, protecionismo, incentivos ficais, competitivididade, especulação – são vários os fatores envolvidos na relação entre os agrocombustíveis e a crise na produção de alimentos. Apesar dos biocombustíveis serem utilizados há mais de 30 anos no Brasil, de forma a se incorporarem à economia, e alguns gêneros agrícolas não competirem territorialmente com a produção de alimentos, a tendência mundial em busca de alternativas energéticas tem comprometido a produção alimentícia.
Em se tratando de gêneros agrícolas destinados à produção de combustível, pode-se observar uma certa predominância de espécie em cada nação. Cana-de-açúcar, no Brasil, milho, nos Estados Unidos, beterraba, em diversas regiões da União Européia. Atualmente, metade da colheita de cana brasileira é destinada à produção de etanol, enquanto a outra é empregada no setor alimentício. Porém, a cana-de-açúcar não é a base alimentícia do povo brasileiro. Já o milho é largamente utilizado pela indústria de alimentos Norte-Americana, o que gera uma competição entre colheitas destinadas à alimentação e à energia. Esse quadro torna instável a disponibilidade de alimentos nos Estados Unidos, pois fatores como as variações no preço do petróleo, incentivos fiscais e até mesmo a especulação do mercado acionário fazem as colheitas destinadas à alimentação serem deslocadas para produção de agrocombustíveis.
Outro fator chave que influencia na crise dos alimentos é a relação entre a competitividade e o protecionismo, atrelados à questão dos biocombustíveis. Como diferentes gêneros agrícolas são utilizados por nações distintas, o clima, o rendimento da espécie cultivada e outros fatores relacionados à estrutura geográfica ditam qual espécie terá maior custo-benefício, gerando uma acirrada competição entre os produtores e consumidores de agrocombustível, em âmbito internacional. Isso reforça o protecionismo, intensificado para defender a produção nacional tanto de alimentos, como de etanol. Quando as barreiras comerciais para os alimentos sobem, a produção de agrocombustível cresce e, consequentemente, a área destinada a ela, fazendo com que as safras seguintes de comida diminuam, principalmente se forem usadas espécies agrícolas distintas para fins distintos.
Essa situação não prejudica os pequenos produtores, pois estes possuem certa flexibilidade na produção, mas se não houver planejamento e controle dos subsídios para a produção de etanol, os gêneros agrícolas alimentícios podem perder espaço. Portanto, tendo em vista os diversos fatores que podem alterar o delicado destino do produto agrícola, é necessário que também existam incentivos para os produtores de alimento, de forma a balancear o número de terras agriculturáveis em função dos biocombustíveis e dos alimentos, estabilizando a situação da futura crise alimentícia.
PS: Finalmente escrevi algo no blog! Muito prazer, meu nome é Leandro e este foi um pequeno ensaio meu sobre a crise internacional dos alimentos.