Skip to content

This is the end

20° março, 2010
by

esse é meu texto de despedida.
O blog se iniciou na campanha presidencial anterior, e decorre o 4º ano.
Não vou excluir o blog porque vários textos aqui, e somente aqui, residem.
Por momentos políticos, críticos, culturais, esportivos, pessoais e artísticos passei aqui.
A condensação se resume a “quem planta boas semente colhe bons frutos”, mas isso não se aplica a qualquer transgênico, cuidado.

This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
– The Doors

Anúncios

O perigo do futuro

14° março, 2010

É uma coisa inventada, da mente. Por conceito, estatística ou intuição, é fruto da imaginação.
Mas é tão real quanto o passado na memória (este sim, são fatos).
Como é difícil não enxergar o futuro. Pensar no futuro (e é só isso que se pode fazer com ele) e enxergar interrogações, ou um preto infinito. É difícil.
Não ver o futuro tira a esperança. Esperança de vencer, de chegar, de ocorrer, de ser.
Sem esperança, como se motivar? Não se sabe onde vai chegar, nem onde se pretende chegar, muito menos como chegar. E o que se faz, então, com o presente?
É difícil.
Só não é pior pelas coisas que se repetem. Essas sim, estão na memória, são bem conhecidas, finalizadas, e por assim ser dão uma motivação de conseguir realizá-las novamente.
Se ater ao conhecido é um caminho. Funciona.
Mas que droga! A vida não é uma repetição! Que bom que não é, mas que droga neste momento…
Cuidado com o futuro. Ele te prende. Prende seu presente.

Há quem diga que é o divino que acende a luz e indica o caminho para o futuro.

Tão inexplicável, é realmente aceitável acreditar nisso. Ser ateu é meio que se ater. O contrário é (uma das) forma(s) de expansão.

Alegria sem pé nem cabeça.

2° março, 2010
tags:
by

Mais um dessas noites já acumuladas, as idéias vão aparecendo, inconscientemente sendo construídas.
E como após a respiração trancada, o dedo no gatilho, a visão que por infinitos milésimos observou tudo ao redor e toda a trajetória, o desfecho é um tiro. Simples assim.

Não te encontrar para conversarmos me fez te conhecer melhor.
O silêncio aumenta o volume da sua voz, suave.
Fecho os olhos, reconheço a insônia e reconheço a imagem, vejo-a inteira.
A ausência provoca o tato, faz sentir o abraço.
É uma noite em que se passam vários dias.
Sonhos conscientes, misturam as verdadeiras memórias e lembranças inventadas.
Repito as palavras, crio um momento. Lembro do abraço, invento o beijo.

Quando você voltar eu nem sei o que vou fazer, o que vou dizer.
.
Vou deixar rolar.

E a saudade não faz senão felicitar. Jamais pense na tristeza futura. Alegre-se com o melhor de hoje e de ontem e apenas busque o melhor para amanhã. E nunca se esqueça do hoje.

[recomendações de quem se decepciona e espera o pior]

É um ajuste fino

25° fevereiro, 2010

Quem nos controla?
A mente, eu digo.

Faz viver e faz morrer.
Faz acontecer e faz desistir.
Como acompanhar a bola caindo se são seus olhos que caem de sono?
Como fazer contas quando essa avaliação é um faz de contas?
Como deixar fluir a criatividade se o trânsito te impede de fluir?
E a barriga vazia das crianças no jornal só servem para tirar sua fome.
Carregar muitas pessoas é prova de força. Mas a responsabilidade só faz as pernas cederem.
Se não há um próximo corredor, de nada adianta passar o bastão.
A linha de chegada fica tão longe quanto a linha do horizonte. E você desacelera antes da segunda etapa.

Piscar os olhos. Limpar as córneas.
Todos os planos estão em seu campo de visão, mas todos se embaçam quando um deles você focar.

O calor está flutuando no céu, constante, mas o vento lhe tateia ainda mais.
As duas mãos ocupadas, trabalhando, e mesmo assim os ouvidos ouvem a música nitidamente.
Quando as costas se curvam para o cansaço, é o braço amigo que você sente te levantando.
O mundo parece parado. Até que que uma dança te pegue e nunca mais te deixe parar.
Você está sozinho. Até que resolva enxergar os outros.

E se meus textos fossem retrabalhados?

Seriam a sobreposição de 2 focos.

A pequenez da ambição / a grandeza da fartura

21° fevereiro, 2010

Trecho (só 2 páginas) de A Paixão Segundo G.H. – Clarice Lispector:

[…]

E eu tenho. Eu sempre terei. É só precisar, que eu tenho. Precisar não acaba nunca pois precisar é a inerência de meu neutro. Aquilo que eu fizer do pedido e da carência esta será a vida que terei feito de minha vida. Não se colocar em face da esperança não é a destruição do pedido! e não é abster-se da carência. Ah, é aumentá-la, é aumentar infinitamente o pedido que nasce da carência.Não é para nós que o leite da vaca brota, mas nós o bebemos. A flor não foi feita para ser olhada por nós nem para que sintamos o seu cheiro, e nós a olhamos e cheiramos. A Via-Láctea não existe para que saibamos da existência dela, mas nós sabemos. E nós sabemos Deus. E o que precisamos Dele, extraímos. (Não sei o que chamo de Deus, mas assim pode ser chamado.) Se só sabemos muito pouco de Deus, é porque precisamos pouco: só temos Dele o que fatalmente nos basta, só temos de Deus o que cabe em nós. (A nostalgia não é do Deus que nos falta, é a nostalgia de nós mesmos que não somos bastante; sentimos falta de nossa grandeza impossível – minha atualidade inalcançável é o meu paraíso perdido.)Sofremos por ter tão pouca fome, embora nossa pequena fome já dê para sentirmos uma profunda falta do prazer que teríamos se fôssemos de fome maior. O leite a gente só bebe o quanto basta ao corpo, e da flor só vemos até onde vão os olhos e a sua saciedade rasa. Quanto mais precisarmos, mais Deus existe. Quanto mais pudermos, mais Deus teremos.Ele deixa. (Ele não nasceu para nós, nem nós nascemos para Ele, nós e Ele somos ao mesmo tempo.) Ele está ininterruptamente ocupado em ser, assim como todas as coisas estão sendo, mas Ele não impede que a gente se junte a Ele e, com Ele, fique ocupado em ser, numa intertroca tão fluida e constante – como a de viver. Ele, por exemplo, Ele nos usa totalmente porque não há nada em cada um de nós de que Ele, cuja necessidade é absolutamente infinita, não precise. Ele nos usa, e não impede que a gente faça uso Dele. O minério que está na terra não é responsável por não ser usado.Nós somos muito atrasados, e não temos idéia de como aproveitar Deus numa intertroca – como se ainda não tivéssemos descoberto que o leite se bebe. Daí a alguns séculos ou daí a alguns minutos talvez digamos espantados: e dizer que Deus sempre esteve! quem esteve pouco fui eu – assim como diríamos do petróleo de que a gente finalmente precisou a ponto de saber como tirá-lo da terra, assim como um dia lamentaremos os que morreram de câncer sem usar o remédio que está. Certamente ainda não precisamos não morrer de câncer. Tudo está. (Talvez seres de outro planeta já saibam das coisas e vivam numa intertroca para eles natural; para nós, por enquanto, a intertroca seria “santidade” e perturbaria completamente a nossa vida.)O leite da vaca, nós o bebemos. E se a vaca não deixa, usamos de violência. (Na vida e na morte tudo é lícito, viver é sempre questão de vida-e-morte.) Com Deus a gente também pode abrir caminho pela violência. Ele mesmo, quando precisa mais especialmente de um de nós, Ele nos escolhe e nos violenta.Só que minha violência para com Deus tem que ser comigo mesma. Tenho que me violentar para precisar mais. Para que eu me torne tão desesperadamente maior que eu fique vazia e necessitada. Assim terei tocado na raiz do precisar. O grande vazio em mim será o meu lugar de existir; minha pobreza extrema será uma grande vontade. Tenho que me violentar até não ter nada, e precisar de tudo; quando eu precisar, então eu terei, porque sei que é de justiça dar mais a quem pede mais, minha exigência é o meu tamanho, meu vazio é a minha medida. Também se pode violentar Deus diretamente, através de um amor cheio de raiva.E Ele compreenderá que essa nossa avidez colérica e assassina é na verdade a nossa cólera sagrada e vital, a nossa tentativa de violentação de nós mesmos, a tentativa de comer mais do que podemos para aumentarmos artificialmente a nossa fome – na exigência de vida tudo é lícito, mesmo o artificial, e o artificial é às vezes o grande sacrifício que se faz para se ter o essencial.Mas, já que somos pouco e, portanto só precisamos de pouco, por que então não nos basta o pouco? É que adivinhamos o prazer. Como cegos que tateiam, nós pressentimos o intenso prazer de viver.E se pressentimos, é também porque nós nos sentimos inquietamente usados por Deus, sentimos inquietantemente que estamos sendo usados com um prazer intenso e ininterrupto – aliás, a nossa salvação por enquanto tem sido a de pelo menos sermos usados, não somos inúteis, somos intensamente aproveitados por Deus; corpo e alma e vida são para isso: para a intertroca e o êxtase de alguém. Inquietos, sentimos que estamos sendo usados a cada instante – mas isso acorda em nós o inquietante desejo de também usar.E Ele não só deixa, como necessita ser usado, ser usado é um modo de ser compreendido. (Em todas as religiões Deus exige ser amado.) Para termos, falta-nos apenas precisar. Precisar é sempre o momento supremo. Assim como a mais arriscada alegria entre um homem e uma mulher vem quando a grandeza de precisar é tanta que se sente em agonia e espanto: sem ti eu não poderia viver. A revelação do amor é uma revelação de carência – bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o dilacerante reino da vida.Se abandono a esperança, estou celebrando a minha carência, e esta é a maior gravidade do viver. E, porque assumi a minha falta, então a vida está à mão. Muitos foram os que abandonaram tudo o que tinham, e foram em busca da fome maior.Ah perdi a timidez: Deus já é. Nós já fomos anunciados, e foi a minha própria vida errada quem me anunciou para a certa. A beatitude é o prazer contínuo da coisa, o processo da coisa é feito de prazer e de contato com aquilo de que se precisa gradualmente mais. Toda a minha luta fraudulenta vinha de eu não querer assumir a promessa que se cumpre: eu não queria a realidade.Pois ser real é assumir a própria promessa: assumir a própria inocência e retomar o gosto do qual nunca se teve consciência: o gosto do vivo. […]

O título do Post é meu. Não encontrei substantivos melhores pois meu vocabulário ainda é restrito.

Continuo numa febre de Clarice, e nem sei se incentivo, quem gostou desse trecho, a ler este livro. Melhor começar com os de contos. Mais curtos, mais entendíveis. Clarice é complicada, não vou omitir, mas explicar aquilo que existe, o neutro, é tão difícil.

Boa noite.

uma …

21° fevereiro, 2010

como dizer?

o que não tem nome

se tem nome, tem definição

se tem definição, tem explicação

e isso não tem

é uma mistura de coisas que tem nome

alegria, nervosismo, perdição,

carinho, medo, diversão,

paz, esperança, exagero,

conforto, calma, cheiro…

não tendo palavras, me calo

tenho o que dizer, não sei como dizer,

e me calo

sabe quando te dizem um enigma,

e bate a curiosidade, se junta com a dificuldade,

e aquilo não termina?

sabe uma bela paisagem,

que aumenta os olhos, rouba a visão,

preenche o tempo sem uma única ação?

se lembra do presente recebido,

num dia que não era o seu,

exatamente aquela coisa que queria,

o espanto e o furor?

já uniu tudo isso numa só coisa?

a careta, o sorriso, a dúvida, o raciocínio e a entrega?

como dar um nome?

é tão sem explicações como uma mágica.

Chamá-la-ei assim, pois: uma mágica.

Uma não, pois não é delimitada.

: Mágica

Clarice Lispector

31° janeiro, 2010

Já escrevi sobre Clarice Lispector e retorno ao assunto.

Com suas personagens femininas muito pensamentes, ela não ouviu o Bom Conselho de Chico Buarque, ou resolveu ser tradicional e pensar 2 vezes antes de agir.

Tentar se descobrir deve ser algo comum a todos. Como viver, por que viver, para quem viver… Todos têm uma ponta de curiosidade, e ninguém descobre nunca \o/

Comigo, ler Clarice está sendo um atalho à essa busca, que na verdade é uma aventura. Busca algo desconhecido. Como diz uma música dos Titãs “A Melhor Forma” – “As idéias estão no chão, você tropeça e acha a solução”. Você nem sabe o que procura, mas a tal coisa está lá, e pode ser que você encontre.
Estou maravilhado e fissurado. Preso em liberdade. É uma busca incessante em se perder. Estou entendendo, justamente, que não estou entendendo, mas não desisto de entender.

Como no blog da Mariana ( Circulos psicodélicos), ela sugere Dan Brown, e até me convenceu! Mas estou numa empolgação tão grande em ler Clarice que não vou me desviar. Não vou parar até que eu pare.
É um pare dinâmico que pode ser por cansaço, exaustão ou falta de opção. Por opção eu não paro, é isso.

Então, sugiro que leiam!

Dica: a sintaxe dela é bizarra hehe demora um tempo a se acostumar, DEPENDENDO do livro que você pegar. Comece com um livro de contos como Felicidade Clandestina. É ótimo e é muito mais “entendível”.

😉

Danke, mi amiga que insiste en sugerir-me los libros, “Holz”.